segunda-feira, 14 de abril de 2008

DE FRAQUE


Um fraque imponente
preto como o petróleo
veste o pinguim,
valente, garboso
mas anda como Carlitos
Porém, sem cartola, sem bengala


Ergue o bico para olhar o céu
escapar da vertigem ciscusnpeta
da monotonia antártica
Branco é o gelo, mas paz não é


O pinguim não plana alto
não migra com a andorinha
não sonha como a gaivota
ele nada, apenas nada
Contempla abobalhado a imensidão azul
o reflexo do céu na água
Por segundos pensa ser livre


Dentro do seu fraque chora,
pois tem asa e não voa
tem pena e quer ser peixe

Felipe Modesto

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