quarta-feira, 2 de abril de 2008

JARDINEIRO NO DESERTO

O que faz sentido além do que pode ser tocado?
Antes ver desenhos em nuvens agora em fumaças de cigarro
Parar para admirar o pranto sentir o cheiro das flores sem campo
sem pasto, no amargo
Na mentira que insiste em te mostrar
que na verdade é impossível se enganar
Aparando com cuidado cirúrgico
cada galho avesso a beleza do nosso querer
sem saber que a natureza faz crescerde novo, e de novo,
os arbustos por nós rejeitados
pois ao calor do sol do meio-dia
ou ao soar a meia-noite o sino
fora o que outrora homem
chega então o amoral destino
Rugindo pelas portas da corte,
fazendo rubros os alvos lençóis
de sangue, pelos olhos, derramado
E agora no fim da jornada
depois de chegar e partir,
sem pressa e sem cavalgada
um homem se vê com uma tesoura na mão
O que resta a fazer é cortar tudo que for erva daninha ou mato vão
aparar as árvores e flores que existem por perto
Mas outra vez ele mira e repara
que é apenas um Jardineiro no Deserto

Felipe Modesto



Texto que dá nome ao blog, que dá explicações sórdidas e vãs sobre a vida. A minha, ou a de qualquer outro que tenha que aparar galhos no deserto

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